Na busca por bases bibliográficas que norteassem esta pesquisa, nos deparamos com o trabalho do projeto Conexões, descrito acima, que tem a coordenação artística do ator, diretor e dramaturgo Arthur Serzedello. No blog do artista, encontramos o artigo abaixo que tece o panorama do teatro voltado a adolescentes no Brasil, levantando pontos importantes observados também em Jaraguá do Sul.
Os adolescentes não vão ao teatro porque os teatros não produzem peças para eles ou os Teatros não produzem peças para os adolescentes porque eles não vão ao teatro?
O que se espera de um teatro para adolescentes?
Acho que a mesma coisa que se espera de um teatro feito para adultos. Um teatro que ajude na discussão de temas importantes para aquele grupo social naquele momento histórico e que faça com que o publico saia da “zona de conforto” que ele tem em relação a certos temas. Um teatro provocante, fresco, novo, que se arrisque e sempre coloque tudo em risco a cada cena.
Se os adolescentes gostam de andar em grupo, gostam de provocar, de contestar, de questionar, de se posicionar, então eles gostam de teatro e não sabem. Os adolescentes não são “infanto-juvenis”. Quer coisa pior do que ser “infanto” e “juvenil”?
Teatro para adolescentes não precisa ser resumo de obras que caem nos vestibulares nem lições de moral como gravidez na adolescência, drogas ou orientação vocacional. O que eles querem é o poder se ser autênticos. Querem ser ouvidos, respeitados, considerados. Por isso tantos motivos para chamar a nossa atenção. Com roupas, com rasgos, com cores, com piercings, com tatoos, Ipods, com drogas, com barulhos, com odores, com atitudes.
Não querem ser compreendidos. Querem respeito. E o teatro deve buscar a fotografia deste momento em que vivemos, e pouco convivemos ao vivo. Um mundo de reality shows virtuais e pouco contato com a vida real “na real”. Uma vida mais teclada do que vivida.
(...)
As montagem teatrais devem buscar influenciar os adolescentes a pensarem, quer mostrar a eles um retrato inteligente da sua própria geração para que eles possam se reconhecer, ou se estranhar e a partir daí ajudar na criação de sua própria identidade.
Não somente atingindo público adolescente, deve-se ainda discutir com os adultos, os pais dessa geração, os provedores da tecnologia, para que eles possam discutir qual será o papel dos adultos nessa "geração copy and paste” e no que estamos ajudando a implantar neles esse chip de geração sem consciência.
(...)
Levar os adolescentes ao teatro é uma importante função social de artistas e Instituições preocupadas com um Brasil mais justo e solidário. Precisamos formar uma geração que goste de teatro, que vá ao teatro. Essa geração vai ser com certeza, muito mais aberta ao diálogo e muito mais questionadora e cidadã.
O adolescente carrega em si o gene da mudança. Só de olhar para um adolescente podemos ver que ele é a expressão máxima da mudança. Seu corpo está mudando, sua voz está se transformando, suas espinhas denotam que sua sexualidade está se formando, e o mais importante seu pensamento está tomando corpo.
Juntando essa “expressão da transformação”, (o adolescente) com a “casa do diálogo”, (o teatro), vamos plantar uma sociedade muito mais interessante do que a que vivemos hoje.
E quando começarmos a ter jovens que descubram no teatro uma expressão genuína de seus sentimentos e seus pensamentos, não precisaremos mais nos preocupar com as salas de teatro, não precisaremos mais do “incentivo” da meia-entrada, não precisaremos mais divulgar as peças feitas para eles. Eles procurarão os teatros porque precisam deles para viver.
Nenhum comentário:
Postar um comentário