Pesquisa Aprovada pelo Edital do Fundo Municipal de Cultura
Fundação Cultural de Jaraguá do Sul
Organização: Alexsander Girardi, Fred Paiva e Maykon Junkes
Assistência na pesquisa de campo: Dandara Mendes, Roger Loss e Tiago Novo
Consultoria: Ana Paula Machado, Elisiana Kinas e Gilmar A. Moretti
quarta-feira, 29 de junho de 2011
Introdução
Com base nas experiências de projetos culturais voltados a estudantes de Jaraguá do Sul, foi verificada a carência de informações para a promoção de eventos artísticos e culturais que atendam as necessidades e expectativas da faixa etária de 11 a 17 anos.
Comparado a oferta de espetáculos de teatro voltados ao público infantil e ao adulto, o teatro para adolescentes está em um nível muito abaixo no que se refere à quantidade de espetáculos, qualidade dos mesmos, variedade de temas e envolvimento de público.
Com isso, surge a idéia de ir a campo e ouvir dos próprios jovens o que eles fazem em suas horas livres e de lazer, o que eles gostariam de prestigiar e de que forma a informação pode chegar a eles.
Para uma eficiente abordagem dos jovens e correta análise dos dados coletados, o grupo de trabalho convidou a psicopedagoga Elisiana Kinas e a mestra em teatro pela UDESC Ana Paula Moretti Pavanello Machado para supervisionar o processo de pesquisa.
Para que todo o processo fosse registrado de uma forma correta, e assim pudesse servir como base de dados para futuros projetos semelhantes, foi realizado registro fotográfico e audiovisual onde o grupo contou com a supervisão do diretor de teatro e cineasta Gilmar A. Moretti.
O levantamento dos dados se deu conforme o seguinte plano de ações:
Pesquisa bibliográfica: verificar experiências no teatro voltado a juvenis em publicações brasileiras lançadas nos últimos 20 anos, e definir o perfil psicológico geral do público alvo através de discussões com a psicopedagoga e de pesquisa bibliográfica.
Definição do plano de pesquisa: propor um método de coleta de dados que tenha como meta a definição de:
Oferta: que espetáculos há na cidade voltados a juvenis e qual a periodicidade
Necessidades: o que precisam e que pode ser satisfeito pelo teatro;
Expectativas: que tipo de espetáculo desejam ter acesso;
Universo cultural: atividades de todos os tipos de arte as quais tem acesso.
Mídias: meios de comunicação utilizados e mais eficientes para divulgação
Método: formulação de um questionário de pesquisa.
Grupo de discussão inicial: Apresentar plano de pesquisa à pessoas envolvidas com juvenis e coletar suas sugestões e impressões. Foram convidados um coordenador pedagógico de escola pública e outro de escola privada, um professor de teatro, um diretor de teatro, um produtor cultural e um coordenador de projeto cultural voltados a juvenis
Método: Encontro de até 2 horas com resumo da pesquisa bibliográfica, apresentação do plano de pesquisa e discussão com participantes. Intermediação por parte de um dos coordenadores. Registro audiovisual para posterior documentário.
Adequação do plano de pesquisa: Baseado no resultado do encontro do grupo de discussão, revisar o questionário proposto.
Pesquisa de campo: Coletar dados conforme plano de pesquisa, abordando um mínimo de 500 estudantes de escolas selecionadas pelo grupo de discussão.
Método: Encontros com professores e profissionais e com alunos para discussão e preenchimento do questionário.
Relatório de pesquisa: Analisar os dados coletados, compara-los com relatórios anteriores e buscar atingir as metas da pesquisa.
Grupo de discussão final: apresentar aos mesmos participantes os resultados da coleta de dados.
Relatório final: revisar para distribuição em três formatos:
- Brochura trazendo resumo da pesquisa bibliográfica, dados estatísticos, descrição de experiências e análise dos resultados da pesquisa
- Artigo resumindo o projeto, enviado para veiculação na mídia local.
- Este website formato blog com o mesmo conteúdo desta publicação
Divulgação: disponibilização dos relatórios à Secretaria de Educação, Fundação Cultural, escolas públicas e privadas que atendam à faixa etária tema do projeto e a profissionais de artes cênicas da região.
Espera-se assim com a apresentação deste relatório de pesquisa fornecer informações sobre o público adolescente em Jaraguá do Sul, munindo grupos e escolas de teatro, diretores, atores e educadores com informações que permearão seus trabalhos futuros voltados a este público.
Comparado a oferta de espetáculos de teatro voltados ao público infantil e ao adulto, o teatro para adolescentes está em um nível muito abaixo no que se refere à quantidade de espetáculos, qualidade dos mesmos, variedade de temas e envolvimento de público.
Com isso, surge a idéia de ir a campo e ouvir dos próprios jovens o que eles fazem em suas horas livres e de lazer, o que eles gostariam de prestigiar e de que forma a informação pode chegar a eles.
Para uma eficiente abordagem dos jovens e correta análise dos dados coletados, o grupo de trabalho convidou a psicopedagoga Elisiana Kinas e a mestra em teatro pela UDESC Ana Paula Moretti Pavanello Machado para supervisionar o processo de pesquisa.
Para que todo o processo fosse registrado de uma forma correta, e assim pudesse servir como base de dados para futuros projetos semelhantes, foi realizado registro fotográfico e audiovisual onde o grupo contou com a supervisão do diretor de teatro e cineasta Gilmar A. Moretti.
O levantamento dos dados se deu conforme o seguinte plano de ações:
Pesquisa bibliográfica: verificar experiências no teatro voltado a juvenis em publicações brasileiras lançadas nos últimos 20 anos, e definir o perfil psicológico geral do público alvo através de discussões com a psicopedagoga e de pesquisa bibliográfica.
Definição do plano de pesquisa: propor um método de coleta de dados que tenha como meta a definição de:
Oferta: que espetáculos há na cidade voltados a juvenis e qual a periodicidade
Necessidades: o que precisam e que pode ser satisfeito pelo teatro;
Expectativas: que tipo de espetáculo desejam ter acesso;
Universo cultural: atividades de todos os tipos de arte as quais tem acesso.
Mídias: meios de comunicação utilizados e mais eficientes para divulgação
Método: formulação de um questionário de pesquisa.
Grupo de discussão inicial: Apresentar plano de pesquisa à pessoas envolvidas com juvenis e coletar suas sugestões e impressões. Foram convidados um coordenador pedagógico de escola pública e outro de escola privada, um professor de teatro, um diretor de teatro, um produtor cultural e um coordenador de projeto cultural voltados a juvenis
Método: Encontro de até 2 horas com resumo da pesquisa bibliográfica, apresentação do plano de pesquisa e discussão com participantes. Intermediação por parte de um dos coordenadores. Registro audiovisual para posterior documentário.
Adequação do plano de pesquisa: Baseado no resultado do encontro do grupo de discussão, revisar o questionário proposto.
Pesquisa de campo: Coletar dados conforme plano de pesquisa, abordando um mínimo de 500 estudantes de escolas selecionadas pelo grupo de discussão.
Método: Encontros com professores e profissionais e com alunos para discussão e preenchimento do questionário.
Relatório de pesquisa: Analisar os dados coletados, compara-los com relatórios anteriores e buscar atingir as metas da pesquisa.
Grupo de discussão final: apresentar aos mesmos participantes os resultados da coleta de dados.
Relatório final: revisar para distribuição em três formatos:
- Brochura trazendo resumo da pesquisa bibliográfica, dados estatísticos, descrição de experiências e análise dos resultados da pesquisa
- Artigo resumindo o projeto, enviado para veiculação na mídia local.
- Este website formato blog com o mesmo conteúdo desta publicação
Divulgação: disponibilização dos relatórios à Secretaria de Educação, Fundação Cultural, escolas públicas e privadas que atendam à faixa etária tema do projeto e a profissionais de artes cênicas da região.
Espera-se assim com a apresentação deste relatório de pesquisa fornecer informações sobre o público adolescente em Jaraguá do Sul, munindo grupos e escolas de teatro, diretores, atores e educadores com informações que permearão seus trabalhos futuros voltados a este público.
Currículos: Grupo de Trabalho
Alex Girardi, ator. Desde 2009 tem atuado nos Grupos Colher de Pau e GpoEx em espetáculos voltados a estudantes. Atua também como dramaturgo e ator em espetáculos de contação de histórias.
Fred Paiva, ator, escritor e diretor. Desde 2007 tem atuado nos grupos Colher de Pau e GpoEx / SCAR em espetáculos voltados a estudantes. Diretor do espetáculo Terra de Ninguém, aprovado pelo edital do Fundo Municipal de Cultura 2010. Co-autor do livro “Mal que se quis”, pela Design Editora. Co-autor do roteiro “A quatrocentos e quinze” Projeto Jaraguá em Curtas.
Maykon Junkes, ator, diretor, dramaturgo e produtor cultural. Desde 2007 tem atuado nos grupos Colher de Pau e GpoEx / SCAR em espetáculos voltados a estudantes. Dramaturgo do espetáculo Tilinta, aprovado pelo edital Fundo Municipal de Cultura 2011. Diretor do espetáculo Tecnópolis, do grupo Colher de Pau. Produtor do Festival de Formas Animadas e Projeto Escola Vai ao Teatro.
Fred Paiva, ator, escritor e diretor. Desde 2007 tem atuado nos grupos Colher de Pau e GpoEx / SCAR em espetáculos voltados a estudantes. Diretor do espetáculo Terra de Ninguém, aprovado pelo edital do Fundo Municipal de Cultura 2010. Co-autor do livro “Mal que se quis”, pela Design Editora. Co-autor do roteiro “A quatrocentos e quinze” Projeto Jaraguá em Curtas.
Maykon Junkes, ator, diretor, dramaturgo e produtor cultural. Desde 2007 tem atuado nos grupos Colher de Pau e GpoEx / SCAR em espetáculos voltados a estudantes. Dramaturgo do espetáculo Tilinta, aprovado pelo edital Fundo Municipal de Cultura 2011. Diretor do espetáculo Tecnópolis, do grupo Colher de Pau. Produtor do Festival de Formas Animadas e Projeto Escola Vai ao Teatro.
Consultoria
Ana Paula Moretti Pavanello Machado – Mestre em teatro pela UDESC, Bacharel e Licenciada em História pela UFSC e Licenciada em Artes Cênicas pela Udesc. Diretora e professora do Grupo GpoEx/SCAR, professora de teatro e Produtora Cultural.
Elisiana Kinas – Pós Graduada em Psicopedagogia e em Magistério Superior pelo IBPEX. Licenciada em Pedagogia pela FURB.
Gilmar Moretti – pós graduado em cinema pela Faculdade de Artes do Paraná, diretor de teatro e documentarista.
Elisiana Kinas – Pós Graduada em Psicopedagogia e em Magistério Superior pelo IBPEX. Licenciada em Pedagogia pela FURB.
Gilmar Moretti – pós graduado em cinema pela Faculdade de Artes do Paraná, diretor de teatro e documentarista.
1. Teatro para Adolescentes no Brasil
Uma das mais populares manifestações artísticas, no Brasil o teatro passou por fases diversas em seu envolvimento com o público. Já foi evento social frequentado pela elite, voz política no tempo da ditadura e fenômeno de massa. Desde o início do século passado, dramaturgos, grupos e atores brasileiros ganharam projeção e o teatro no Brasil passou a ter sua própria identidade. Nelson Rodrigues, Augusto Boal e Plínio Marcos se destacaram no “teatro adulto”, enquanto Maria Clara Machado foi o grande nome do teatro infantil no país.
Entretanto, no teatro para adolescentes não há muitas referências a dramaturgos ou grupos. Não que esse público tenha sido completamente ignorado: há sim um considerável histórico de adaptações de espetáculos adultos para o contexto jovem, e também o chamado teatro infanto-juvenil. Na literatura e na internet, há referência a este público, porém muito inferior ao que se refere ao público infantil e adulto, e se observa também que grande parte dos trabalhos voltados aos adolescentes centra-se nos temas drogas, sexualidade e carreira profissional, como se esses fossem os únicos temas pelos quais os jovens se interessassem.
Nos últimos anos, entretanto, iniciou-se um movimento de levar o adolescente ao teatro e buscar maior identificação com esse público. Confissões de Adolescente, de Maria Mariana, foi um sucesso de público nos anos 90 que mostrou a viabilidade e a importância de um espetáculo voltado exclusivamente para jovens. O espetáculo foi também adaptado para um seriado televisivo e a autora se destacou como colunista e teledramaturga para o público adolescente.
Já na segunda metada dos anos 2000, surgiu em São Paulo o movimento Conexões, e o teatro para adolescentes vem experimentando uma revolução na maior cidade do país. Em outros centros vê-se uma maior atenção a este público, e o número de adolescentes nos teatro vem aumentando em todo o país. Demonstrando a importância do movimento no país, em 2010 a Associação Paulista de Críticos de Artes incluiu pela primeira vez na sua premiação anual a categoria Melhor Espetáculo Jovem
Entretanto, no teatro para adolescentes não há muitas referências a dramaturgos ou grupos. Não que esse público tenha sido completamente ignorado: há sim um considerável histórico de adaptações de espetáculos adultos para o contexto jovem, e também o chamado teatro infanto-juvenil. Na literatura e na internet, há referência a este público, porém muito inferior ao que se refere ao público infantil e adulto, e se observa também que grande parte dos trabalhos voltados aos adolescentes centra-se nos temas drogas, sexualidade e carreira profissional, como se esses fossem os únicos temas pelos quais os jovens se interessassem.
Nos últimos anos, entretanto, iniciou-se um movimento de levar o adolescente ao teatro e buscar maior identificação com esse público. Confissões de Adolescente, de Maria Mariana, foi um sucesso de público nos anos 90 que mostrou a viabilidade e a importância de um espetáculo voltado exclusivamente para jovens. O espetáculo foi também adaptado para um seriado televisivo e a autora se destacou como colunista e teledramaturga para o público adolescente.
Já na segunda metada dos anos 2000, surgiu em São Paulo o movimento Conexões, e o teatro para adolescentes vem experimentando uma revolução na maior cidade do país. Em outros centros vê-se uma maior atenção a este público, e o número de adolescentes nos teatro vem aumentando em todo o país. Demonstrando a importância do movimento no país, em 2010 a Associação Paulista de Críticos de Artes incluiu pela primeira vez na sua premiação anual a categoria Melhor Espetáculo Jovem
1.1 Projeto Conexões
Em maio de 2006, a Cultura Inglesa São Paulo, em parceria com o British Council realizou o Projeto Teatro Jovem - uma semana de atividades para apresentar e discutir o teatro feito para jovens e por jovens. Foram organizados debates, workshops, seminários e leituras dramáticas que deram início a discussões sobre o planejamento da continuidade do fomento da criação voltada para esse público específico. Este projeto está ligado ao New Connections, criado há mais de 15 anos pelo Royal National Theatre sediado na Inglaterra, buscando encorajar escolas e jovens companhias de teatro a produzir novas montagens dos melhores dramaturgos da atualidade. Objetivo é oferecer roteiros escritos especialmente para jovens. O programa já gerou mais de 100 novas peças, envolvendo milhares de jovens em todo mundo e hoje está presente em vários países, incluindo Reino Unido, Irlanda, Itália, Portugal, Escócia, Noruega, Geórgia e Brasil.
Como resultado desta primeira semana do Projeto Teatro Jovem, surgiu interesse de trabalhar com projetos na área, que é considerada deficiente no Brasil em comparação com o teatro infantil e para adultos
O British Council apoiou a ida de Tuna Serzedello (ator, diretor, dramaturgo e professor de teatro para adolescentes) a Londres, para fazer parte do projeto. Assim, em 2007 surge o Conexões, que contou com a participação de nove grupos de Teatro Jovem de diferentes regiões da cidade de São Paulo, envolvendo cerca de 130 participantes.
Graças à experiência e ao comprometimento da primeira edição, o Conexões tomou forma rapidamente e cresceu. Entre 2008 e 2010, foram 46 grupos de Teatro Jovem contemplados, envolvendo em torno de 500 participantes. Além disso, a equipe Conexões aprimorou o calendário de atividades formativas, oficinas e workshops
Como resultado desta primeira semana do Projeto Teatro Jovem, surgiu interesse de trabalhar com projetos na área, que é considerada deficiente no Brasil em comparação com o teatro infantil e para adultos
O British Council apoiou a ida de Tuna Serzedello (ator, diretor, dramaturgo e professor de teatro para adolescentes) a Londres, para fazer parte do projeto. Assim, em 2007 surge o Conexões, que contou com a participação de nove grupos de Teatro Jovem de diferentes regiões da cidade de São Paulo, envolvendo cerca de 130 participantes.
Graças à experiência e ao comprometimento da primeira edição, o Conexões tomou forma rapidamente e cresceu. Entre 2008 e 2010, foram 46 grupos de Teatro Jovem contemplados, envolvendo em torno de 500 participantes. Além disso, a equipe Conexões aprimorou o calendário de atividades formativas, oficinas e workshops
1.2 Artigo “Teatro feito para adolescentes” por Tuna Serzedello
Na busca por bases bibliográficas que norteassem esta pesquisa, nos deparamos com o trabalho do projeto Conexões, descrito acima, que tem a coordenação artística do ator, diretor e dramaturgo Arthur Serzedello. No blog do artista, encontramos o artigo abaixo que tece o panorama do teatro voltado a adolescentes no Brasil, levantando pontos importantes observados também em Jaraguá do Sul.
Os adolescentes não vão ao teatro porque os teatros não produzem peças para eles ou os Teatros não produzem peças para os adolescentes porque eles não vão ao teatro?
O que se espera de um teatro para adolescentes?
Acho que a mesma coisa que se espera de um teatro feito para adultos. Um teatro que ajude na discussão de temas importantes para aquele grupo social naquele momento histórico e que faça com que o publico saia da “zona de conforto” que ele tem em relação a certos temas. Um teatro provocante, fresco, novo, que se arrisque e sempre coloque tudo em risco a cada cena.
Se os adolescentes gostam de andar em grupo, gostam de provocar, de contestar, de questionar, de se posicionar, então eles gostam de teatro e não sabem. Os adolescentes não são “infanto-juvenis”. Quer coisa pior do que ser “infanto” e “juvenil”?
Teatro para adolescentes não precisa ser resumo de obras que caem nos vestibulares nem lições de moral como gravidez na adolescência, drogas ou orientação vocacional. O que eles querem é o poder se ser autênticos. Querem ser ouvidos, respeitados, considerados. Por isso tantos motivos para chamar a nossa atenção. Com roupas, com rasgos, com cores, com piercings, com tatoos, Ipods, com drogas, com barulhos, com odores, com atitudes.
Não querem ser compreendidos. Querem respeito. E o teatro deve buscar a fotografia deste momento em que vivemos, e pouco convivemos ao vivo. Um mundo de reality shows virtuais e pouco contato com a vida real “na real”. Uma vida mais teclada do que vivida.
(...)
As montagem teatrais devem buscar influenciar os adolescentes a pensarem, quer mostrar a eles um retrato inteligente da sua própria geração para que eles possam se reconhecer, ou se estranhar e a partir daí ajudar na criação de sua própria identidade.
Não somente atingindo público adolescente, deve-se ainda discutir com os adultos, os pais dessa geração, os provedores da tecnologia, para que eles possam discutir qual será o papel dos adultos nessa "geração copy and paste” e no que estamos ajudando a implantar neles esse chip de geração sem consciência.
(...)
Levar os adolescentes ao teatro é uma importante função social de artistas e Instituições preocupadas com um Brasil mais justo e solidário. Precisamos formar uma geração que goste de teatro, que vá ao teatro. Essa geração vai ser com certeza, muito mais aberta ao diálogo e muito mais questionadora e cidadã.
O adolescente carrega em si o gene da mudança. Só de olhar para um adolescente podemos ver que ele é a expressão máxima da mudança. Seu corpo está mudando, sua voz está se transformando, suas espinhas denotam que sua sexualidade está se formando, e o mais importante seu pensamento está tomando corpo.
Juntando essa “expressão da transformação”, (o adolescente) com a “casa do diálogo”, (o teatro), vamos plantar uma sociedade muito mais interessante do que a que vivemos hoje.
E quando começarmos a ter jovens que descubram no teatro uma expressão genuína de seus sentimentos e seus pensamentos, não precisaremos mais nos preocupar com as salas de teatro, não precisaremos mais do “incentivo” da meia-entrada, não precisaremos mais divulgar as peças feitas para eles. Eles procurarão os teatros porque precisam deles para viver.
Os adolescentes não vão ao teatro porque os teatros não produzem peças para eles ou os Teatros não produzem peças para os adolescentes porque eles não vão ao teatro?
O que se espera de um teatro para adolescentes?
Acho que a mesma coisa que se espera de um teatro feito para adultos. Um teatro que ajude na discussão de temas importantes para aquele grupo social naquele momento histórico e que faça com que o publico saia da “zona de conforto” que ele tem em relação a certos temas. Um teatro provocante, fresco, novo, que se arrisque e sempre coloque tudo em risco a cada cena.
Se os adolescentes gostam de andar em grupo, gostam de provocar, de contestar, de questionar, de se posicionar, então eles gostam de teatro e não sabem. Os adolescentes não são “infanto-juvenis”. Quer coisa pior do que ser “infanto” e “juvenil”?
Teatro para adolescentes não precisa ser resumo de obras que caem nos vestibulares nem lições de moral como gravidez na adolescência, drogas ou orientação vocacional. O que eles querem é o poder se ser autênticos. Querem ser ouvidos, respeitados, considerados. Por isso tantos motivos para chamar a nossa atenção. Com roupas, com rasgos, com cores, com piercings, com tatoos, Ipods, com drogas, com barulhos, com odores, com atitudes.
Não querem ser compreendidos. Querem respeito. E o teatro deve buscar a fotografia deste momento em que vivemos, e pouco convivemos ao vivo. Um mundo de reality shows virtuais e pouco contato com a vida real “na real”. Uma vida mais teclada do que vivida.
(...)
As montagem teatrais devem buscar influenciar os adolescentes a pensarem, quer mostrar a eles um retrato inteligente da sua própria geração para que eles possam se reconhecer, ou se estranhar e a partir daí ajudar na criação de sua própria identidade.
Não somente atingindo público adolescente, deve-se ainda discutir com os adultos, os pais dessa geração, os provedores da tecnologia, para que eles possam discutir qual será o papel dos adultos nessa "geração copy and paste” e no que estamos ajudando a implantar neles esse chip de geração sem consciência.
(...)
Levar os adolescentes ao teatro é uma importante função social de artistas e Instituições preocupadas com um Brasil mais justo e solidário. Precisamos formar uma geração que goste de teatro, que vá ao teatro. Essa geração vai ser com certeza, muito mais aberta ao diálogo e muito mais questionadora e cidadã.
O adolescente carrega em si o gene da mudança. Só de olhar para um adolescente podemos ver que ele é a expressão máxima da mudança. Seu corpo está mudando, sua voz está se transformando, suas espinhas denotam que sua sexualidade está se formando, e o mais importante seu pensamento está tomando corpo.
Juntando essa “expressão da transformação”, (o adolescente) com a “casa do diálogo”, (o teatro), vamos plantar uma sociedade muito mais interessante do que a que vivemos hoje.
E quando começarmos a ter jovens que descubram no teatro uma expressão genuína de seus sentimentos e seus pensamentos, não precisaremos mais nos preocupar com as salas de teatro, não precisaremos mais do “incentivo” da meia-entrada, não precisaremos mais divulgar as peças feitas para eles. Eles procurarão os teatros porque precisam deles para viver.
Assinar:
Comentários (Atom)